Mesmo com indicadores positivos, vendas de papelarias na volta às aulas ficam abaixo da expectativa em Gravataí

O início do ano costuma ser um dos períodos mais importantes para o comércio de papelarias. Em janeiro, indicadores econômicos apontavam crescimento no setor em Gravataí, impulsionado pela volta às aulas e pela tradicional busca por materiais escolares. No entanto, na prática, muitos empresários relatam que o movimento ficou abaixo do esperado em 2026.

De acordo com lojistas do segmento, fatores como o aumento da concorrência, a venda de materiais escolares por diferentes tipos de estabelecimentos e o comportamento de compra das famílias acabaram impactando o desempenho das vendas neste início de ano.

Para a empresária Jaina Wichmann, da J.A. Junior, o cenário tem se tornado cada vez mais desafiador. Segundo ela, além da concorrência do comércio eletrônico, hoje diversos estabelecimentos passaram a vender produtos escolares, ampliando a disputa por clientes.

“Hoje não são apenas as papelarias que vendem material escolar. Bazar, farmácia e supermercado também entraram nesse mercado. Além disso, tem a internet, que acaba influenciando muito na decisão de compra”, relata.

Outro fator apontado pelos empresários é a circulação de informações nas redes sociais sobre a possível distribuição de materiais escolares pelo poder público, o que fez parte dos consumidores adiar compras.

Segundo Jaina, isso gerou expectativa entre as famílias. “Muitos pais acabam aguardando para ver se o município vai fornecer os materiais escolares e, enquanto isso, deixam de comprar”, explica.

A empresária Maria Goreti, da Goris Paper, também percebeu o impacto no movimento da loja. Com mais de três décadas de atuação no setor, ela destaca que a expectativa para o período era maior.

“O movimento da volta às aulas neste ano teve uma queda nas vendas devido a prefeitura não ter dado o cartão material escolar para a rede municipal. No entanto, de maneira geral, o nosso movimento foi mediano. Nossa expectativa era que fosse maior, que as vendas melhorassem, mas isso não aconteceu. Apesar de termos 32 anos de mercado, o impacto não foi o esperado”, afirma.

Indicadores e realidade do comércio

Para o Sindilojas Gravataí, a diferença entre indicadores econômicos e a percepção dos empresários mostra como o comportamento do consumidor pode variar entre setores e momentos específicos.

Os indicadores costumam apontar tendências gerais da economia, mas o desempenho real das vendas depende de diversos fatores locais, como concorrência, políticas públicas, renda das famílias e hábitos de compra.

Por isso, o acompanhamento direto do comércio é fundamental para compreender o cenário completo.

Acompanhamento do setor

O Sindilojas Gravataí mantém diálogo constante com empresários e acompanha indicadores econômicos por meio do Observatório Econômico da entidade. O objetivo é entender o comportamento do mercado e contribuir com informações que ajudem os empresários a planejar suas estratégias.

Para o setor de papelarias, o momento reforça a importância de acompanhar as mudanças no perfil de consumo e buscar alternativas para manter a competitividade, especialmente em um mercado cada vez mais diversificado.

Rolar para cima